Atualizado em 28 de setembro de 2026
A taxa de maquininha de cartão é o percentual que a credenciadora desconta de cada venda antes de depositar o dinheiro na sua conta. Para saber quanto você realmente recebe, multiplique o valor da venda por (1 menos a taxa da modalidade) e desconte ainda a antecipação, o aluguel e outras cobranças fixas do contrato.
Quem vende no cartão costuma olhar para o extrato no fim do mês e sentir que entrou menos dinheiro do que deveria. Quase sempre a diferença está espalhada em várias linhas pequenas do extrato. Aparecem ali a taxa do débito, a do parcelado, a antecipação que ficou ligada no automático e uma mensalidade que ninguém lembra de ter contratado.
Neste guia você vai entender de onde vem cada centavo descontado e qual parte é limitada pelo Banco Central. Também vai aprender a montar uma conta simples para comparar propostas com as vendas do seu próprio negócio. Todas as simulações usam taxas hipotéticas, porque as condições mudam de contrato para contrato e o que importa aqui é o método.
Neste artigo
- De onde vem a taxa da maquininha e quem define o valor
- Como calcular quanto você recebe em cada venda
- Taxa de antecipação: quanto custa receber antes
- Aluguel, mensalidade e custos que não aparecem no percentual
- Como repassar a taxa para o preço sem perder cliente
- Como comparar propostas e negociar a taxa
- Perguntas frequentes
- O que fazer primeiro

De onde vem a taxa da maquininha e quem define o valor
A taxa que aparece no seu contrato, chamada no mercado de MDR (sigla em inglês para taxa de desconto do lojista), é definida livremente pela credenciadora, a empresa dona da maquininha. Dentro dela estão embutidas três fatias, a remuneração do banco que emitiu o cartão do cliente (tarifa de intercâmbio), a parte da bandeira e a margem da própria credenciadora.
Só uma dessas fatias tem limite legal. Desde 1º de abril de 2023, o intercâmbio está limitado a 0,5% por transação no débito e a 0,7% no pré-pago, conforme a Resolução BCB nº 246, de 2022, publicada pelo Banco Central. A medida foi anunciada com o objetivo declarado de baratear a aceitação de cartões para o comerciante, como noticiou a CNN Brasil ao explicar os novos limites para débito e pré-pago.
No cartão de crédito não existe teto para o intercâmbio, e a taxa final cobrada do lojista (o MDR) também não tem limite em nenhuma modalidade. Isso explica por que o crédito é sempre mais caro que o débito e por que duas maquininhas podem cobrar valores muito diferentes pela mesma venda.
Por que o crédito parcelado custa mais
No parcelado, a credenciadora assume o risco de a compra ser contestada por mais tempo e, se for ela a adiantar o dinheiro, fica com o capital parado até o cliente pagar todas as parcelas. Por isso a tabela costuma crescer conforme o número de parcelas, e algumas credenciadoras cobram uma taxa para cada faixa (2 a 6 vezes, 7 a 12 vezes).
O risco escondido aqui é aceitar uma proposta olhando apenas a taxa do débito, que costuma ser a mais baixa e a mais anunciada. Se o seu cliente paga quase tudo no crédito, a taxa que decide o seu mês é a do crédito, e é justamente a que tem mais espaço para variação.
Na prática, o que eu vejo com mais frequência é o lojista que sabe de cor a taxa do débito e não faz ideia de quanto paga no parcelado em 10 vezes. Minha orientação é pedir a tabela completa por escrito, modalidade por modalidade, antes de assinar qualquer coisa. É essa tabela que vira o seu custo real, e não o número do anúncio.
Como calcular quanto você recebe em cada venda
O cálculo básico é o valor da venda multiplicado por (1 menos a taxa), e isso dá o valor líquido antes de qualquer antecipação. Uma venda de R$ 100 com taxa de 3,2% rende R$ 96,80 na sua conta, e essa conta vale para qualquer modalidade, desde que você use a taxa certa de cada uma.
A tabela abaixo mostra o efeito em uma venda de R$ 100, com taxas hipotéticas próximas das que aparecem em propostas para pequenos negócios. Os prazos seguem a prática comum do mercado, que costuma pagar o débito no dia útil seguinte e o crédito à vista em até 30 dias. O prazo exato é o que estiver no seu contrato.
| Modalidade (simulação) | Taxa hipotética | Desconto em R$ 100 | Valor líquido | Prazo usual de mercado |
|---|---|---|---|---|
| Débito | 1,20% | R$ 1,20 | R$ 98,80 | 1 dia útil |
| Crédito à vista | 3,20% | R$ 3,20 | R$ 96,80 | até 30 dias |
| Crédito parcelado em 6 vezes | 4,50% | R$ 4,50 | R$ 95,50 | uma parcela por mês |
| Pix na maquininha | 0,99% | R$ 0,99 | R$ 99,01 | em geral no mesmo dia |
A conta que realmente importa é a do mês
Olhar venda por venda engana, porque o que pesa é a combinação das modalidades. Imagine uma loja de roupas que fatura R$ 20.000 por mês, com R$ 4.000 no débito, R$ 9.000 no crédito à vista, R$ 5.000 no parcelado e R$ 2.000 no Pix. Com as taxas da tabela, ela paga R$ 48 no débito, R$ 288 no crédito à vista, R$ 225 no parcelado e R$ 19,80 no Pix, somando R$ 580,80 por mês, ou 2,9% do faturamento.
Esse percentual médio ponderado é o número que você deve guardar. Ele mostra quanto a maquininha custa para o seu negócio, e é com ele que se compara uma proposta nova, em vez de comparar taxa por taxa como se todas as vendas fossem iguais.
Uma armadilha frequente é esquecer o cancelamento e o estorno. Quando o cliente contesta a compra no banco dele (o chamado chargeback) e a contestação é aceita, o valor volta para ele e sai da sua agenda de recebimentos. Confira no contrato se, nesse caso, a taxa já descontada é devolvida.
Se fosse comigo, eu separaria meia hora para puxar do aplicativo da maquininha o relatório dos últimos três meses por modalidade e calcularia esse custo médio. Quase ninguém faz esse trabalho, e ele costuma revelar logo de cara se a taxa que você paga combina com o seu tipo de venda.
Taxa de antecipação: quanto custa receber antes
A antecipação é um adiantamento dos valores que você só receberia no futuro, e funciona como um empréstimo com juros cobrados por mês de adiantamento. Quanto mais longo o prazo original da venda, maior o desconto, e no parcelado ela pode custar mais que a própria taxa da maquininha.
Diferente do intercâmbio, a taxa de antecipação não tem teto, e muitos contratos já vêm com a antecipação automática ligada, o que significa que todas as vendas no crédito são adiantadas sem que você peça. Vale abrir o contrato e o aplicativo para confirmar se esse é o seu caso.
Simulação de uma venda de R$ 600 em 6 vezes
Considere uma venda de R$ 600 em 6 vezes, com taxa hipotética de 4,5% no parcelado e antecipação hipotética de 2,99% ao mês. A antecipação é cobrada de forma proporcional ao prazo de cada parcela, que é o modelo mais comum.
- Desconto da maquininha. A taxa de 4,5% leva R$ 27, e sobram R$ 573, ou seis parcelas de R$ 95,50 que chegariam uma por mês.
- Desconto da antecipação. A primeira parcela é adiantada em 1 mês, a segunda em 2 meses e assim por diante até 6 meses, o que soma 21 meses de antecipação e gera um desconto de cerca de R$ 59,96.
- Valor que cai na conta. Você recebe perto de R$ 513,04 à vista, ou seja, entregou R$ 86,96 de uma venda de R$ 600, o equivalente a quase 14,5% do valor.
Transformando esse desconto em juros compostos, a antecipação dessa simulação sai por volta de 3,25% ao mês, ou cerca de 47% ao ano. Para ter uma referência, o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano em 16 de setembro de 2026, segundo o Poder360 ao noticiar a decisão. Isso equivale a pouco mais de 1% ao mês.
O custo escondido é o hábito. Quem antecipa tudo, todo mês, passa a depender do adiantamento para pagar fornecedor e acaba financiando o próprio caixa a juros altos de forma permanente, sem nunca ter comparado com outra linha de crédito.
O erro que mais custa caro aqui é deixar a antecipação automática ligada sem necessidade. Minha orientação para a maioria dos pequenos negócios é desligar o automático, montar uma pequena reserva de caixa e antecipar só a venda que precisa virar dinheiro naquela semana. Antes, compare com o custo de um empréstimo ou capital de giro com juros menores.
Aluguel, mensalidade e custos que não aparecem no percentual
Além da taxa por venda, o contrato pode prever aluguel do aparelho, mensalidade de plano, cobrança por Pix recebido e multas de cancelamento. Esses valores fixos pesam mais para quem vende pouco, porque se diluem em um faturamento menor.
Um aluguel de R$ 40 por mês parece pequeno, mas para um negócio que fatura R$ 3.000 no cartão ele equivale a 1,33 ponto percentual a mais na taxa. Somado a uma taxa média de 2,9%, o custo real sobe para cerca de 4,2%, e em um ano são R$ 480 só de aluguel, valor que vale comparar com o preço de comprar o aparelho.
Custos que costumam passar despercebidos
- Taxa mínima ou faturamento mínimo. Alguns planos cobram um valor extra se você não atingir um volume mensal combinado, o que pune justamente os meses fracos.
- Taxa sobre Pix recebido na maquininha. Quando o Pix passa pela credenciadora, ela pode cobrar pelo serviço, e o percentual deve constar da tabela do contrato.
- Cartões de outras bandeiras ou estrangeiros. Cartões emitidos fora do país e algumas bandeiras menos comuns podem ter taxa própria, diferente da padrão, e ela precisa estar na tabela.
- Multa ou fidelidade. Planos com taxa promocional às vezes exigem permanência mínima e cobram multa se você trocar de maquininha antes do prazo.
- Taxa promocional com prazo de validade. A condição especial dos primeiros meses pode subir depois, e o contrato precisa dizer quando e para quanto.
E se você for MEI e usar a maquininha no CPF em vez do CNPJ? A conta da taxa é a mesma, mas misturar recebimentos da empresa com a conta pessoal dificulta controlar o faturamento. O MEI tem limite de faturamento de R$ 81 mil por ano em 2026, segundo a página do governo federal sobre o teto do MEI. Separar as contas ajuda nisso, como explicamos no guia sobre conta digital para MEI.
Muita gente acha que maquininha sem aluguel é sempre mais barata, e quase sempre está deixando de fazer a conta completa, porque um plano sem mensalidade pode ter taxa por venda mais alta. O que decide é somar tudo o que sai em um mês típico do seu negócio, fixo e variável, e dividir pelo faturamento no cartão.

Como repassar a taxa para o preço sem perder cliente
A lei permite cobrar preços diferentes conforme o meio de pagamento e o prazo, e isso inclui dar desconto para Pix, dinheiro ou débito. O ponto de atenção é que o desconto precisa estar informado de forma visível para o consumidor.
A autorização está na Lei nº 13.455, de 2017, disponível no site do Planalto, que também torna sem efeito cláusulas de contrato que proíbam essa diferenciação. A mesma lei exige que o fornecedor informe, em local e formato visíveis, os descontos oferecidos por forma ou prazo de pagamento.
A fórmula para embutir a taxa no preço
O erro comum é somar a taxa ao preço, e somar não basta, porque a taxa incide sobre o preço final, já com ela incluída. Para receber exatamente R$ 100 em uma venda com taxa de 3,2%, o preço precisa ser R$ 100 dividido por 0,968, o que dá R$ 103,31 e não R$ 103,20.
O mesmo raciocínio vale para a margem. Se um produto custa R$ 60 e você quer que 25% do preço de venda fique como margem, sem considerar a maquininha, o preço seria R$ 80. Com a taxa de 3,2% entrando na conta, o preço passa a ser R$ 60 dividido por (1 menos 0,25 menos 0,032), ou cerca de R$ 83,57. Essa diferença de R$ 3,57 é o que muitos negócios perdem sem perceber.
O cuidado é com a percepção do cliente. Anunciar um preço base e um desconto para Pix ou débito costuma ser mais bem recebido do que um acréscimo para quem paga no cartão, mesmo com resultado financeiro parecido. O desconto também conversa diretamente com a exigência de informação visível da lei.
Na prática, o que funciona melhor é calcular o preço já com a taxa média do seu negócio e oferecer desconto nas formas de pagamento mais baratas. Criar um preço diferente para cada modalidade confunde o cliente. Assim a vitrine continua simples e o custo da maquininha deixa de sair da sua margem.
Como comparar propostas e negociar a taxa
Compare propostas aplicando as taxas de cada uma ao seu faturamento real por modalidade, somando os custos fixos e a antecipação que você de fato usa. A proposta mais barata é a que gera o menor custo total no seu mês, e isso muda conforme o perfil de venda.
Veja duas propostas hipotéticas, ambas sem aluguel. A proposta A cobra 0,99% no débito, 3,49% no crédito à vista, 4,99% no parcelado e nada no Pix, enquanto a B cobra 1,69%, 2,79%, 3,99% e 0,49%, na mesma ordem.
| Negócio (simulação, R$ 20.000/mês) | Custo com a proposta A | Custo com a proposta B | Mais barata |
|---|---|---|---|
| Loja de roupas (R$ 4 mil débito, R$ 9 mil crédito, R$ 5 mil parcelado, R$ 2 mil Pix) | R$ 603,20 | R$ 528,00 | B, cerca de R$ 900 a menos por ano |
| Padaria (R$ 12 mil débito, R$ 5 mil crédito, R$ 1 mil parcelado, R$ 2 mil Pix) | R$ 343,20 | R$ 392,00 | A, cerca de R$ 585 a menos por ano |
A mesma dupla de propostas dá resultados opostos para negócios diferentes, e é por isso que ranking de maquininha não serve para ninguém. O critério certo é o seu mix de vendas.
O que pedir na negociação
- Tabela completa por escrito. Débito, crédito à vista, cada faixa de parcelas, Pix, antecipação e cobranças fixas, com a data em que cada condição vale.
- Taxa pelo seu volume. Mostre o faturamento dos últimos meses e peça condição compatível, porque volume maior costuma abrir espaço para desconto.
- Antecipação separada da taxa. Peça que a antecipação seja opcional, sem vir embutida em uma taxa única que esconde quanto é juros.
- Condição de saída. Confirme se há fidelidade, multa ou exigência de aviso prévio para cancelar.
Existe uma ferramenta pouco conhecida para negociar a antecipação. As regras sobre registro de recebíveis (Resolução CMN nº 4.734, de 2019, e Resolução BCB nº 264, de 2022) fazem com que as vendas no cartão fiquem registradas em sistemas próprios. Isso permite negociar a antecipação, ou usar esses valores como garantia de crédito, com outras instituições e não só com a dona da maquininha.
Se fosse comigo, eu refaria essa comparação a cada seis meses, porque o mix de vendas muda e as credenciadoras também mudam suas tabelas. Para avaliar os outros critérios além da taxa, como suporte, conectividade e integração com o sistema da loja, vale ler nosso guia sobre como escolher maquininha de cartão.
Perguntas frequentes sobre taxa de maquininha de cartão
Existe limite para a taxa da maquininha?
Não para a taxa final que o lojista paga. O Banco Central limita apenas a tarifa de intercâmbio, uma parte da taxa, em 0,5% no débito e 0,7% no pré-pago desde abril de 2023. No crédito não há teto nem para o intercâmbio.
Posso cobrar mais caro de quem paga no cartão?
Sim, a Lei nº 13.455, de 2017, autoriza preços diferentes conforme o meio e o prazo de pagamento. O desconto oferecido para outras formas de pagamento precisa ficar visível para o consumidor, e a forma mais segura é anunciar o preço base e o desconto para Pix, dinheiro ou débito.
Vale a pena aceitar Pix pela maquininha?
Depende do custo. O Pix recebido por meio da credenciadora pode ter taxa própria, enquanto o recebimento direto na conta pode ser gratuito ou mais barato, conforme o tipo de conta. Entenda as diferenças no nosso artigo sobre Pix na maquininha e novas formas de pagamento.
A taxa de antecipação é juros?
Na prática, sim, porque você recebe hoje um dinheiro que só chegaria no futuro e paga por mês de adiantamento. Por isso ela deve ser comparada com o custo de outras formas de crédito para o negócio, e não com a taxa da maquininha.
Como descubro quanto paguei de taxa no último mês?
O aplicativo ou portal da credenciadora costuma ter um extrato com valor bruto, taxa e valor líquido de cada venda. Some a diferença entre bruto e líquido, acrescente aluguel e outras cobranças fixas, e divida pelo faturamento no cartão para chegar ao seu custo médio.
Mudar de maquininha dá trabalho?
O maior cuidado é com as vendas parceladas que ainda vão cair na conta, porque elas continuam sendo pagas pela credenciadora antiga. Antes de trocar, confira se há multa de fidelidade e se existe antecipação contratada ou recebível dado em garantia de algum crédito.
O que fazer primeiro para pagar menos taxa
Para a maioria dos pequenos negócios, o caminho mais rentável é calcular o custo médio real da maquininha com as vendas dos últimos três meses e desligar a antecipação automática quando ela não for necessária. Depois, embuta a taxa média no preço e ofereça desconto para as formas de pagamento mais baratas.
A resposta muda para quem vende muito parcelado e depende do adiantamento para pagar contas, porque aí o custo da antecipação costuma ser o maior item da fatura e a negociação mais importante passa a ser essa. Também muda para quem fatura pouco, caso em que qualquer aluguel ou mensalidade pesa mais do que um ponto de diferença na taxa.
O primeiro passo é abrir o aplicativo da maquininha hoje, exportar o extrato por modalidade e aplicar a conta deste guia. Com o número em mãos, compare propostas usando os critérios do nosso guia para escolher maquininha de cartão antes de renovar ou trocar de contrato.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, e as taxas usadas nas simulações são hipotéticas. As condições de cada maquininha dependem do contrato, do volume e do perfil de vendas de cada negócio. Decisões sobre taxas, antecipação e precificação devem considerar a sua realidade e, se necessário, a orientação de um contador.






